A majestade o sabiá. 

A única coisa por que vale a pena amar alguém é que depois eu consigo escrever sobre isso. É um lado positivo. Tem vários outros, se for correspondido. Mas eu nunca gostei de alguém que gostava de mim. Por algum motivo eu nasci com a síndrome do príncipe encantado. Ninguém é bom o bastante pra mim. É superficial demais da minha parte, até porque eu não estou em condições de escolher alguém.
Mas a boca é minha, e eu prefiro, sinceramente, passar as tardes fazendo nada do que ser como alguma das minhas amigas. Eu sou velha. Eu sou muito velha. Eu tenho esse espírito velho dentro de mim. Esse jeito chato de ser. É meio por causa das histórias que minha avó me contava na infância. Ela desiludiu um pouco minhas crenças no amor. 
Um pouco é eufemismo.
Mas tudo bem, eu não sou tão ingênua como minhas amigas são. Às vezes eu me pergunto se nasci no mês certo. Pra uma mãe que acredita tanto em astrologia, eu acabei aderindo esse gosto. E embora em todos os lugares digam, eu não sou romântica.
Eu tenho esse complexo de mãe. Eu quero ajudar todo mundo e esqueço de mim, eu sou sonhadora, eu sou engraçada, mas romântica. No. No. No. 
E eu cansei de escrever.